Archive for Art and Culture in Portugal

Dos instituciones madrileñas reconocidas con los premios MAC

La revista madrileña de Bellas Artes Niram Art y la Agencia de Relaciones Públicas Defeses Fine Arts se llevaron los premios

La revista de Bellas Artes Niram Art, publicación fundada en Madrid por el artista plástico Romeo Niram ganó el Premio Mac 2009 Prensa, otorgado por el Movimiento de Arte Contemporáneo de Lisboa (MAC).

Apostando en un proyecto de información cultural como parte contribuyente para la divulgación, implementación y concienciación del público para una diversidad de los diálogos artísticos, la Revista Niram Art se destacó del resto de la prensa escrita nacional e internacional, invistiendo en diversos campos de combate cultural y mostrando estar en constante evolución y sintonía con el público y los productores culturales de hoy”. (Álvaro Lobato de Faria, director MAC).

El fundador de la revista, el pintor Romeo Niram recibió un segundo premio en nombre personal MAC 2009 Dinamización Cultural, por sus varios proyectos culturales, desde literatura al teatro, a las bellas artes, a la música, iniciados a través de la revista Niram Art y en el Espacio Niram de Madrid, de acercamiento entre la cultura española y la portuguesa.

La Agencia de Relaciones Públicas Defeses Fine Arts fue distinguida con el Premio MAC 2009 Divulgación Cultural, “por construir una puente entre las artes españolas, portuguesas y del resto de Europa”. La directora y fundadora de la agencia, la periodista cultural Eva Defeses fue recompensada con el Premio MAC 2009 Periodismo Cultural Prensa.

http://www.espacioniram.com/revista_niram_art/revista_niram_art.html

OS QUATROS ELEMENTOS EM OBRA DE

OS QUATROS ELEMENTOS EM OBRA DE

HELENA CARDOSO

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“Enquanto pinto, entrego-me !

Acordo todos os sentimentos que existem dentro de mim !

Contemplo formas internas, externas, terrenas, ou simplesmente mundos do imaginário.

As minhas obras não são a reflexão de nada em concreto, são apenas impulsos de estados com ligação às perturbações e sonhos que me assaltam.

São fragilidades e alegrias no rebentar das minhas emoções. Por isso, pinto com os sentidos !

Sou uma mutante, uma experimentalista, uma autodidata.”

Helena Cardoso 23/08/2008

Mini exposição de arte: César Barros Amorim

Afrikas

Aqua

Artes

Cara 1

momentos

Mural

Pensamento

Arte Contemporânea Portuguesa em dicionário (abreviado)

Arte Contemporânea Portuguesa em dicionário (abreviado)

Primeira Parte, A-L

 

ALFRED OPITZ, A Caminhada, técnica mista sobre tela, 40×30 cm, 2006.

Mais conhecido como germanista e catedrático, Alfred Opitz retoma nesta obra o figurativo com a finalidade de «narrar» uma pequena odisseia infantil. Um bando de crianças, que atravessa em pleno dia um matagal seco, é apanhado, repentinamente, pela chuva universal (uma cratofania, nos termos de Mircea Eliade). É neste espanto colectivo e no temente olhar erguido para o céu que reside todo o dramatismo do quadro. Agrada-nos a mistura de sépia com tons pálidos de azeitona (acentos laranja) e a sensação material, de estampas deslavadas ou apanhadas pela humidade bolorenta.

ANTÓNIO CARMO, O Modelo, desenho sobre papel, 65×71 cm, 2007; Memória, desenho sobre papel, 65×71 cm, 2007.

António Carmo, quarenta anos de carreira, marca apenas presença nesta colectiva, mantendo em ambos os desenhos expostos (tinta-da-china sobre papel) a unidade de traços antropomórficos com a sua pintura. O profuso decorativismo feminino advém, em Memória, de um movimento quase coreográfico ou reverberante. O resultado é, simplesmente, perfeccionista, requintado, mas déjà vu.

ARTUR BUAL, Sem Título, óleo sobre tela, 54×73 cm, 1989; Sem Título, óleo sobre tela, 24×33 cm, 1992.

Duas telas a óleo, em homenagem a este grande pintor português (1926-1999). Permaneço alguns instantes em frente da mais antiga, a de 1989. Num ambiente feérico, o artista evoca uma moura e o seu luminoso cavalo, cuja crina farta, reluzente, lhe cai majestosamente. Emociona a forma como a princesa (nota-se o diadema) encaixa no espaço entre a cabeça e o corpo do animal. Um momento lendário e misterioso, sobre um fundo nocturno, em azuis de mestre.

CARGALEIRO, Sem Título, técnica mista sobre cartão, 25×32 cm, 1971.

Uma boa lembrança do célebre artista que parece inspirar-se, nesta fase da sua criação, na ornaméntica popular, fitomórfica, dominada por verdes esmeralda e lilás. Ignoro a génese da sua inspiração, mas encontro provas em muitos outros espaços de sensibilidade artística folclorisante.

CÁRMEN PICHEL, Submersos, acrílico sobre tela, 80×60 cm, 2006.

Quem não sonhou com tesouros arqueológicos submersos, colunas ou ânforas miraculosamente conservadas? Cármen Pichel resolve tanto a composição como o cromatismo da argila limosa e das águas marinhas não muito profundas. Brilho correcto no primeiro e segundo planos. Contudo, qualquer juízo de valor sobre a pintora aguarda, naturalmente, mais oportunidades.

CRUZEIRO SEIXAS, Sem Título, técnica mista sobre carão, 28×20 cm, 1957; Sem Título, técnica mista sobre cartão, 33×28 cm, 1957; Sem Título, técnica mista sobre cartão, 28×20 cm, 1957.

Três obras do mesmo ano, provavelmente do acervo, deste clássico do surrealismo português (afirmado desde os anos 40). O erotismo que lhe tem sido sublinhado é mais evidente na última obra (martelo, cisne, borboletas), variação libidinal da «Jangada da Medusa». Apesar de serem trabalhos do período angolano da vida de Cruzeiro Seixas, o africanismo não parece tê-lo influenciado formalmente.

FIGUEIREDO SOBRAL, Senhora do Tempo I, peça escultórica patinada, sem data; D. Quixote e as Suas Dulcineias, técnica mista sobre tela, 90×120 cm, 2006; A Mulher Cavalo, peça escultórica patinada, sem data.

Escolho sem hesitação Quixote…, para explicar como entendo a obra deste plástico dual (pintor e ceramista). «Descobridor das substâncias sem nome», como se apresenta, Figueiredo Sobral é antes de tudo um criador, um demiurgo, no sentido religioso da palavra. A sua religião, de raiz fortemente pagã, onde tutela o multifacetado Proteu, assenta na transformação, no simulacro e na iconolatria. Por isso, o artista povoa, até à saturação, os quadros com relevos ― pequenos ícones de tradição católica ou infantil. Em suma ― um artista proteico, icónico, barroco. Tematicamente ― heróico, onírico, surrealista. Penso que estes dois eixos interpretativos se reencontram no seu Quixote («atleta de Cristo», como dizia Unamuno, mescla de sonhos e aventuras) e as suas Dulcineias. Quatro avatares são propostos neste quadro para o binómio Quixote/Cristo, Dulcineia/Maria. Do subtil «baralho» cromático, sentido em todas as direcções da obra, destaco o (madre)pérola, pela sua qualidade de ostentar o barroquismo genuíno deste grande mestre das plásticas portuguesas.

GUSTAVO FERNANDES, Delicate Pressure, óleo sobre tela, 50×150 cm, 2007; Força Viva 2, bronze, sem data; Agarra, bronze, sem data.

Arrisco logo a corrigir a etiqueta da exposição: pressure, e não présure (que não me parece nada acertado), quer que o pintor seja francófono ou anglófono.

Formado na escola canadiana, Gustavo Fernandes é um excelente pintor, de 43 anos, que vai, com invejável talento, do sur- ao hiper-realismo. Aqui está Delicate pressure, que, no meu entender, é a melhor obra recente exposta no 13.º aniversário do MAC, e que chama a atenção pela sua perfeição formal. Bem sei que há sempre um nariz que se torça alegando que a Arte é antes de mais visão que mestria. Mas, se sentirem aquele «mais de metade vazio», na parte inferior do quadro, todavia suficiente para equilibrar o volume e o peso do braço que pressiona o vidro, é sinal de que estamos perante uma indiscutível obra de arte.

HILÁRIO TEIXEIRA LOPES, Sem Título, acrílico sobre tela, 97×130 cm, 1990; Alegria de Viver, acrílico sobre tela, 130×162 cm, 1993.

Originário de Mirandela, onde, junto com o irmão Gil, impulsionou a criação de um museu em homenagem ao pai, Armindo Teixeira Lopes, o mestre Hilário está no MAC com duas pinturas fáceis de identificar. Em Alegria de Viver sobretudo, o pintor parece empenhado a provar que a cor não é corpúsculo, mas sim onda. Através de movimentos ondulatórios, o artista obtém um instantâneo efeito euforizante, com paralelismos apenas em alguns pintores latino-americanos ou africanos. Toda a exuberância (dizia eu, hilariante) brota deste elã vital, dionisíaco, que prova que o abstraccionismo não significa a abolição dos afectos. Onde alguns podiam ver apenas uma mescla nervosa de cores, há visão, equilíbrio e marco pessoal ― há arte pura, perceptual.

JOÃO DUARTE, Éden II, mármore preto de Vila Viçosa e ferro, sem data.

Com Éden II voltamos ao primitivismo, pois a mulher é, para este escultor, uma Vénus neolítica. O artista opta pela excessiva materialização, exaltando a massa corpórea em nome da fecundidade. Contudo, parece que depois de Brâncusi e Henry Moore, o caminho esteja (por enquanto) vedado.

JOSÉ LUÍS TINOCO, Exercícios sobre a solidão I, acrílico sobre tela, 73×116 cm, 2005; Exercícios sobre a solidão II, acrílico sobre tela, 65×114 cm, 2005; Exercícios sobre a solidão III, acrílico sobre tela, 73×116 cm, 2005.

Encanta-me neste artista plural o cromatismo. Lembro-me até de ter visto na Internet uma fotografia sua em camisa, fato e camisola, subtilmente combinados, em que o pintor parece uma espécie de mensageiro das próprias harmonias ― algo raro, belo e maneirista. Castanhos cacau, azuis-da-prússia, laranjas tangerina, da esquerda à direita, deslocando-se como as nuvens. Marcos de planos verticais, arquitecturalmente concebidos. Uma obra elegante, sem dúvida. Através de um antropomorfismo essencializado (nota-se o desenho das silhuetas a sugerir o carvão), José Luís Tinoco «conta» uma história a dois, banal e entristecedora, sobre a solidão. Diz-se até que esta é a forma mais triste de solidão. Ora vejamos. Em Exercícios I, um homem acabado de chegar a casa, tira pacientemente o fato, coloca-o num cabide antropomórfico e, dirige-se, apenas em camisa interior, para o quarto, para uma partida sexual. O segundo instantâneo mostra a mulher, à beira da cama, bebendo um copo de água. O homem (em pormenor, o relógio) aguarda que ela fique disponível. Finalmente, o terceiro momento do tríptico: ele, remoendo banalidades rotineiras em atitude pensativa à Rodin; ela, preservando a memória do coito. Olho de novo para os seios e gosto do tratamento que o pintor dá à uberdade consumida, tal como à ausência das cabeças (em I e III), alegória para significar o ser que vive, por momentos, apenas na emocionalidade.

JUAN SÁNCHEZ LÓPEZ; Zéfiro I, técnica mista sobre tela, 130×97, 2005.

Espanhol, psiquiatra, Juan Sánchez López já é uma presença constante no MAC. Eis um pintor dinâmico, que propõe um estilo «analítico», e que assenta num cromatismo viscoso, no contraste e em movimentos «residuais». Em Zéfiro I, temos, em meu entender, um original «comentário» mitológico. Mensageiro da Primavera, Zéfiro refresca com o seu hálito os Campos Elísios, renovando a Natureza. Mas será este o significado dos círculos que o autor traça nos dois registos da tela? Ou haverá aí o sonho da abertura da terra fresca, vaginal, e o erguer vegetal do falo? Será que o artista «analisa» a fecundidade? Não sei, é, pelo menos, o que sinto. E deixo as interrogações para uma possível pathos-logia pictórica em Juan Sánchez López.

LOURDES LEITE, Música de Silêncios, óleo sobre tela, 100×50 cm, 2007; Invasão, óleo sobre tela, 116×89 cm, 2007.

Duas obras recentíssimas de Lourdes Leite, as duas merecedoras da atenção do cronista. Prefiro Invasão pela generosa paisagem crepuscular, pela graduação da composição e pelo tratamento da luz que invade o céu, as colinas e a floresta. A lente da objectiva diz-nos que é real o que a artista vê. E é exactamente este truque inteligente, poético, que justifica o destaque da pintura, pela criação ad hoc de um olhar privilegiado, intrínseco, que a acompanha.

LUÍSA NOGUEIRA, O Fascínio das Gaivotas Transparentes, óleo sobre tela, 60×70 cm, 2006; Os Ladrões de Profecias, óleo sobre tela, 60×70 cm, 2006.

Nas duas galerias, os quadros de Luísa Nogueira seguem os de Lourdes Leite. É inegável a afinidade cromática e perfeccionista que existe entre as duas artistas. Mas a temática e os meios são bem diferentes. Luísa Nogueira é uma pintora do onírico, que nos revela um mundo fantasmático, precioso, de uso muito pessoal. Escolho o segundo quadro, Os Ladrões de Profecias, pela mensagem humanista que me parece trazer. Há séculos que o ser humano sonha com o voo, com a evasão da prisão gravitacional, com máquinas que possam projectá-lo no éter, nas mil e umas esferas. E houve também profetas da inteligência tecnológica, como o Leonardo, por exemplo. Mas os homens sabem também transformar os sonhos em pesadelos, e estas criaturas chamam-se ladrões de profecias, agentes do mal, do apocalipse. Na parte inferior do quadro, encontro as tonalidades escuras do sono; no meio, em ocre, laranja e amarelo, quimeras ávidas de devorar profetas; e no topo, um foguetão que se ergue num clarão a rarear o azul celeste. O visionarismo nasce do onirismo e é um dos traços definitórios deste belo quadro de Luísa Nogueira.

DAN CARAGEA

Crítico de arte

Artigo “Liviu Rebreanu”

Publicado por Mircea Eliade, no Jornal Acção, Portugal.

Tsatsa Minnka

Kyra Kyralina

Ion

Nicolae Iorga

“Nicolae Iorga, o Homem que mais escreveu no mundo”, artigo de Mircea Eliade, Jornal Acção, Portugal

Eminescu

Artigo do Jornal O Público, Portugal, 2005

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